Publicado por: PROFª SURAIA | 10/10/2009

Machado de Assis


Machado de Assis, ao contrário de boa parcela de nossos autores do século passado, nasceu de família pobre, neto de escravos alforriados, filho de casamento mestiço entre um mulato pintor de paredes e uma açoriana lavadeira, morador do morro do Livramento. A mãe morreu quando ele estava por volta dos dez anos. O pai casou-se novamente, mas também morreu cedo. Desde os 14 anos o menino trabalhava, vendendo doces para ajudar à madrasta no sustento da casa. Talvez tenha freqüentado a escola primária, mas sabe-se apenas que nesta época já sabia ler e voltava o interesse para a rua do Ouvidor, onde nos cafés e confeitarias se encontravam as pessoas ricas, bonitas, instruídas da corte. E foi nesta direção que o menino pobre, mestiço, gago e epiléptico caminhou, remando contra a correnteza e acumulando, na trajetória, as minúcias da vida na teia de sua aguda observação, avaliando-as pelo prisma de sua fina ironia.

Foi caixeiro de livraria, aprendiz de tipógrafo, revisor, jornalista e funcionário público, chegando, como tal, a ocupar altos cargos. Em 1855 a “Marmota Fluminense” dá espaço a sua estréia literária, publicando alguns de seus poemas. Protegido de Paula Brito, o dono do jornal, logo passa a integrar sua redação. Mas a carreira de escritor não se prestava ao sustento do corpo, só da alma e da vaidade. O serviço público era o melhor caminho para garantir a sobrevivência de nossos artistas.

A carreira burocrática trouxe-lhe estabilidade financeira, tempo e tranqüilidade para escrever, amadurecendo pouco a pouco o estilo e a reflexão ao longo de meio século. O amor de D. Carolina, com quem se casou em 1869, trouxe-lhe a felicidade durante 35 anos.

Assim, passados os obstáculos da infância e adolescência, sem outros sobressaltos biográficos na maturidade, Machado viveu mansamente ao lado de Carolina, cercado pela glória de seu reconhecimento como grande romancista já desde seus 50 anos, reverenciado, admirado e bajulado como patriarca de nossas letras.

Sua história pouco nos esclarece de sua obra: as adversidades que viveu até a juventude, ele soube ultrapassar com paciência e serenidade, o preconceito racial e os sofrimentos físicos não parecem ter sido tão intensos ou mesmo maiores que sua capacidade de suportá-los ou superá-los. A normalidade e o convencionalismo que parecem ter sido a marca de sua história pessoal contrastam com a argúcia do escritor, com a acidez de sua ironia que, por trás de um estilo elegante, respeitoso e bem comportado investiga e desmascara a alma, oferecendo à sociedade, através da análise de seus indivíduos, o retrato sem retoques de sua face oculta.

 

 

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