Publicado por: PROFª SURAIA | 05/10/2009

As viagens maravilhosas de Marco Pólo


A narrativa de Marco Pólo foi adaptada por vários autores e tradutores brasileiros.  Leia o artigo abaixo e consulte as tags no final deste post as versões desta obra incrível que temos no acervo da Sala de Leitura.  Escolha a sua e delicie-se!

Marco Pólo, viajante e repórter da Idade Média

Os livros de viagens sempre foram considerados fontes de informação e de conhecimento, mas também é verdade que são objetos de curiosidade e de prazer. Um bom exemplo está na obra “Il Milione”, ou, como ficou conhecida no ocidente: Viagens Maravilhosas de Marco Pólo.

Este veneziano foi um dos primeiros europeus a pisar na cidade de Pequim, na China. Acompanhado de seu tio Mateo e de seu pai Niccolo, ele percorreu terras distantes, e sua narrativa destas viagens realizadas no século 13 ainda hoje é vista como uma descoberta de estranhos paraísos terrestres entremeados de momentos espantosos e emocionantes. Na verdade, faz parte da História da Cultura Universal.

Quando se pensa em termos de visão globalizada dos fatos sociais como alguma coisa nova, certamente esquecemos personagens da história de todos os tempos que viveram dentro deste mesmo espírito, incluindo, as questões econômicas. Os grandes navegantes portugueses e europeus podem ser uma prova.

A figura de Marco Pólo, entretanto, nos parece emblemática, pois, em plena Idade Média (ele viveu de 1254 a 1324) este aventureiro muito especial percorreu caminhos desconhecidos e temidos, elaborando suas histórias de viagens, mapas, relatos, surpreendentes de tudo o que viu e viveu. Muitas de suas narrativas, consideradas simples lendas, invenções de uma imaginação exacerbada, mais tarde foram confirmadas pela ciência ou por outros desbravadores que seguiram seus passos e indicações.

Com o passar do tempo suas palavras tornaram-se referências obrigatórias em pesquisas sobre a época medieval européia. Os botânicos aproveitaram-se em estudos sobre o açúcar e o algodão, a zoologia retomou dados sobre aves com o grupo, animais aparentemente estranhos como o felino almiscareiro. As religiões foram descritas em formas de ritos cuja organização era distinta dos modelos de origem cristã como, por exemplo, os maometanos, zoroastristas, budistas e outras.

Os grandes sábios e os escritores contemporâneos de Marco Pólo não admitiam como sérias as suas descobertas, desprezando-as como extravagâncias, fábulas de um contador de vantagens. Eles não percebiam, porém que o mercador e o viajante era um grande observador de fatos. As pedras pretas quebradas em pedaços e usadas como combustível, não eram mágicas, mas, simplesmente o que hoje conhecemos como o carvão-de-pedra. As nozes gigantes do tamanho de uma cabeça humana eram cocos. As regiões fantásticas onde as noites duravam seis meses correspondiam à Sibéria setentrional. A fonte de óleo do deserto de Mossul, no sudeste da Armênia, que jorrava sem parar e dava para carregar vários camelos, uma suprema fantasia para os contemporâneos do narrador, foi reconhecida, em 1940, como as jazidas petrolíferas de Mossul. Tantos séculos depois, o que era fantástico revelou-se verdadeiro. Não eram ficções, eram grandes reportagens.

Todos estes fatos indicados por um mercador de Veneza foram o resultado de um modo de perceber a vida e o que nela existe de movimento, porque este homem estava voltado para uma compreensão profunda de sua passagem pela existência. Ele aceitava missões econômicas, era um vendedor de especiarias e mercadorias raras em seu tempo. Era obrigado a sair de seu lugar, um porto da Europa, atravessar espaços estranhos, enfrentar perigos em terras assustadoras, mares desertos, em busca de bens materiais para comercializá-los.

As grandes riquezas que adquiria, porém, estavam muito além destes limites. Ele freqüentou muitas cortes, encontrou outros costumes, conheceu vastas culturas e ampliou espaços. Soberanos como Kublai-Khan transformaram Marco Pólo em um enviado para missões culturais e religiosas, além de outras econômicas.

O chefe mongol admitiu, principalmente, a sua capacidade de narrar experiências que enriqueciam seu reino com a visão de culturas desconhecidas. O mesmo aconteceu quando estas notícias eram compartilhadas pelos contemporâneos europeus, na volta das viagens. O tesouro, portanto, desta vida tão rica estava no trabalho de fazer reportagens, ao comunicar acontecimentos observados no caminho. Uma prática de reportar e mundializar culturas tão presentes em nossos dias.

Terezinha Tagé Jornal A Tribuna, Caderno Galeria F3, 7 de maio de 2000. Santos/SP.

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