Publicado por: PROFª SURAIA | 10/10/2009

Contos Machadianos


O Sobre a arte de escrever contos, Machado escreveu:

"É gênero difícil, a despeito da sua aparente facilidade, e creio que essa aparência lhe faz mal, afastando dele escritores, e não lhe dando, penso eu, o púbico toda a atenção de que ele é muitas vezes credor."

E assim pensando dedicou aos seus contos um trabalho exaustivo de ourivesaria, buscando a exatidão do que queria expressar.

Em 1950, Lúcia Miguel Pereira escrevia:

"Foi como contista que o escritor [Machado de Assis] deu toda a sua medida, e algumas das melhores páginas de seus romances são contos que se intercalam."

Mas há quem defenda que os contos de Machado são ensaios para os seus romances, lançando situações e personagens que ele desenvolveria mais largamente nas histórias grandes – os romances. Outros, como espelho do que se faz nos romances, dividem o Machado-Contista em duas fases. Uma, inferior, até 1882, e outra, maior, após este ano, cujo marco é a publicação da coletânea Papéis avulsos.

Em “Papéis avulsos” (1882) o autor adverte:

"Este título de Papéis avulsos parece negar ao livro uma certa unidade; faz crer que o autor coligiu vários escritos de ordem diversa para o fim de não os perder. A verdade é essa, sem ser bem essa. Avulsos são eles, mas não vieram para aqui como passageiros, que acertam de entrar na mesma hospedaria. São pessoas de uma só família, que a obrigação do pai fez sentar à mesma mesa."

Como em toda a sua obra, há variadas perspectivas de leitura sobre os contos de Machado. Uns querem extrair deles um perspicaz retrato histórico do Brasil, no qual se revelam conflitos e tendências percebidos pela inteligência do autor. Outros, ressaltam os retratos, sempre com economia dos recursos empregados, mas nem por isso menos reveladores e profundos, do espírito humano, como O caso da vara e Uns braços, entre outros. O fato é que há um pouco de tudo nesse território, desde os contos de amor mais envolventes até o terror – bastante inspirados no gótico romântico. Sempre, é claro, tratados com a mão sutil de Machado.

Dependendo dos olhos que o lêem, Machado de Assis – Contista é um pouco de documentarista de época, crítico de costumes, investigador de mistérios do espírito e da existência, e sabe-se lá o que mais ainda irá se inventar – de pleno direito – sobre ele. Toda leitura criativa lhe acrescenta perspectivas; já qualquer leitura que pretenda conferir exclusividade a uma visão específica sobre sua obra reduz perigosamente, e mesmo deturpa, as possibilidades que os contos de Machado oferecem ao leitor.

Algumas histórias são divertidas, outras dramáticas, outras surpreendentes. Outras, ainda, exigindo leitura atenta, ou mesmo mais de uma leitura. Há contos curtos, como o magistral, na contramão absoluta de sua época, Idéias de canário, cujo humor e leveza, além do pequeno número de páginas em que se desenvolve, dissimulam caprichosamente um embate de concepções de mundo absurdamente fértil. Há os considerados fáceis (nada impede que uma leitura caprichosa os envenene algum dia), muito difundidos em antologias escolares, como A cartomante, Um apólogo, Relógio de ouro. Há os que têm como protagonistas (uma ousadia desbravadora para a época), crianças, como Conto de escola e Umas férias. Há o enigmático O espelho; o romântico extremado que zomba do romantismo tradicional, Eterno!, e aquele que muitos consideram o melhor conto que já se escreveu na Literatura Brasileira, Missa do galo

Assim como nas crônicas, Machado também publicou a maioria de seus contos, primeiro, em jornais e revistas. O número é incerto, cerca de duzentos, talvez, e nem todos foram reunidos em livros pelo autor em vida. Acredita-se que tenha começado a produzir contos antes dos 20 anos, e publicou-os até 1907 – um ano antes de morrer.

Há contos de Machado de Assis que são imperdíveis, e alguns são apontados entre os melhores que já foram escritos em toda a Literatura Mundial. Num encontro de machadianos, nunca chegaremos a um acordo sobre quais são os melhores contos de Machado.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u448178.shtml

Coletâneas e contos avulsos do nosso acervo:

  • 50 contos de Machado de Assis
  • A agulha e a linha
  • A cartomante
  • A causa secreta
  • Casa velha
  • Cinco histórias do Bruxo do Cosme Velho
  • Conto de escola
  • Contos consagrados de Machado de Assis
  • Contos de Machado de Assis
  • Missa do galo
  • Noite do Almirante
  • O enfermeiro
  • O espelho
  • Páginas escolhidas
  • Um apólogo
  • Várias histórias
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